Lachesis
Reino: Animal
Classificação: Policrestos
Principais campos de ação: genitais femininos, hemorragias, garganta, respiração, histeria, paranoia
A Lachesis trigonocephalus ou Lachesis mutus é a cobra surucucu, também chamada de surucutinga, cobra-topete ou surucucu-de-fogo. Seu nome vem do tupi e significa “o que dá muitas dentadas, que morde muitas vezes”.
A surucucu é a mais longa cobra venenosa das Américas e a segunda no mundo depois da cobra-real, e cresce em média até dois metros e meio. Os acidentes com essa cobra são chamados de laquéticos. O veneno da surucucu tem atividade proteolítica, ocasionando lesão tecidual, ação hemorrágica e neurotóxica. Esta peçonha consome protrombina e fibrinogênio repercutindo em uma coagulopatia.
Pontos Principais
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Lachesis tem pouca sensação de domínio sobre si mesma. Fala antes de conseguir se conter, reage exageradamente. Tem algo de encantada, fascinada, como se estivesse sob influência de uma força maior que a empurra para dizer, sentir, suspeitar, desejar, atacar ou se perder em fantasias. Junto disso vem uma identidade instável: em certos estados sente-se outra pessoa, dupla, fora de si, entregue a algo superior que a domina.
Tem presença marcante: é sagaz, rápida, irônica, sensual, às vezes sedutora e cativante, às vezes venenosa. A simbólica da serpente se encaixa muito bem: olhar vivo, língua pronta, impulso para atacar, fascinar, enrolar e dominar. Pode ter traço ditatorial, o desejo de querer prevalecer, mandar no ambiente ao redor. Tem também um lado errante, inquieto, nômade, alguém que muitas vezes gosta de viajar ou mudar.
Se existe um traço que salta em Lachesis é a fala. Extremamente loquaz, com uma pergunta já vem a resposta, depois outra, depois outra, e uma palavra puxa outra história. Muda de assunto depressa, fala até dormindo, pergunta sem esperar resposta, mistura fatos, corrige-se e repete o erro. Fala mais ao anoitecer e durante a menstruação. Mas sua língua também pode ferir com maledicência, indiscrição, fofoca, denúncias, segredo contado e arrependimento tardio. Ela sabe que não devia ter dito, mas já disse.
Lachesis quer relação e presença. É sociável, comunicativa, encantadora quando deseja. Sabe seduzir para obter atenção, afeto ou algum favor. Pode ser agradabilíssima, envolvente e divertida. Mas se não encontra reciprocidade, sente-se cortada de modo radical, quase como se a pessoa tivesse morrido. Há muita oscilação entre chamar e expulsar.
Lachesis é carnal, excitável e provocadora. Gosta de se vestir bem, tem sonhos libidinosos. O polo sensual costuma pesar mais do que o terno. Seduz, insinua, brinca com a tensão sexual, gosta de atrair e testar o efeito que causa. O casamento pode ser vivido como prisão e a simples ideia pode ser insuportável.
O ciúme de Lachesis é dos grandes da Matéria Médica. Suspeita de marido, amigos, filhos, das pessoas mais próximas. Uma conversa baixa vira prova de conspiração para ela. Um gesto inocente ganha significado ofensivo. Imagina que falam dela, que a ridicularizam, que tramam algo em seu prejuízo, que querem interná-la, feri-la, ou envenená-la. Esse estado pode vir com gritos, censuras, brigas, reprovações, arrancar cabelo, agressividade e um delírio ciumento.
Quer brilhar, chamar atenção, sustentar imagem de riqueza, importância e charme. Contador de vantagens, desejo de ser tomada por alguém especial. Na mulher, pode surgir como excesso de maquiagem, adorno, troca de roupa, unhas sempre pintadas, e recusa em envelhecer, busca de preservar a aparência a qualquer custo. No homem, pode aparecer como vaidade tardia, sedução exibida na rua e dureza em casa.
Há dois grandes climas afetivos. Um é sombrio: tristeza, desamparo, aversão à companhia, lamúria, suspiros, cansaço de viver, apatia. Outro é claro e expansivo: alegria, humor, vivacidade, vontade de se divertir, cantar, assobiar, conversar, circular. Lachesis pode passar do desalento à hilaridade, do abatimento à excitação, do choro à sátira.
Lachesis pode ser crítica, contraditória, cruel, vingativa, desdenhosa e perversa. Implica e rebate, quer ter a última palavra. Pode zombar, satirizar, humilhar,ter vontade de morder, ferir, matar, envenenar. A raiva cresce por ninharias, piora ao anoitecer e ao acordar, e pode alternar com riso, graça e bom humor. Há malícia, intriga, ressentimento secreto e prazer em atingir. Em alguns momentos, o veneno volta-se contra si, com autoagressão e impulso de jogar-se na água.
Há muita apreensão, como se algum mal estivesse para acontecer. Medo de morrer, sobretudo dormindo; medo de doença grave, contagiosa, incurável; medo de envenenamento, ladrões, cólera, tormenta, água. Histórias horríveis a perturbam muito. Em viagem, pode sentir verdadeiro pressentimento de desgraça. Ao despertar, sente-se sem amigos, abandonada, repudiada. A ansiedade tem rosto moral também: culpa, consciência pesada, medo pela salvação da alma, sensação de condenação.
A religiosidade de Lachesis pode ir a extremos. Num polo, aparece culpa religiosa, remorso, terror de ter cometido pecado imperdoável, medo de danação, desespero pela salvação da alma, loucura religiosa. Fala sem parar de sua maldade, de seus crimes imaginários, da própria perdição. Precisa ser ouvida com respeito, porque vive isso como algo real. Noutro polo, pode sentir-se enviada por Deus, médium, clarividente, possuidora de um poder especial. Oscila entre eleição e condenação, onipotência espiritual e desespero religioso.
A fronteira entre realidade, sonho e delírio pode ficar frouxa. Lachesis vê mortos, fantasmas, espectros, ladrões, pessoas ausentes; ouve vozes, música sublime, ordens para roubar, matar ou confessar o que não fez. Sente alguém atrás dela, acha que está sendo perseguida, espionada, envenenada, ferida. Pode crer que vai morrer, que já morreu, que estão preparando seu enterro, que tem doença incurável, que está condenada, predestinada, sem salvação. Sente-se flutuar, afundar na cama, elevar-se ao espaço, desintegrar-se, transformar-se, ser outra pessoa. Fecha os olhos e as visões crescem. A mente vive cheia de imagens vívidas, fúnebres, fantásticas, às vezes belas, às vezes terríveis.
Por dentro, sente uma divisão, como se houvesse duas vontades em luta. O pensamento corre, cruza, se atropela, principalmente à noite e ao escrever. Uma ideia puxa várias outras; vêm pensamentos rápidos, ridículos, atormentadores. Teoriza, rumina, permanece presa em preocupações imaginadas. E, ao mesmo tempo, tudo pode se dissolver ao ler, falar ou escrever. Junto disso nasce uma dúvida corrosiva: passa a questionar verdades antes firmes.
Lachesis pode estar sempre ocupada, apressada, inquieta, indo de um lado para outro, com pressa para agir, falar, comer, trabalhar. Quer que os outros acompanhem seu ritmo. Em outro momento, cai em indolência, indecisão, desinteresse, aversão ao trabalho, abandono dos projetos.
Lachesis se sobressalta com facilidade, por ruídos, ao dormir, dormindo, ao acordar. Não tolera toque, e isso fica muito marcado no pescoço. Gola, colarinho, roupa apertando a garganta, qualquer pressão nessa região a transtorna. Quanto maior o incômodo no pescoço, maior a sufocação, a confusão mental, a irritação, a aparência de embriaguez. O pescoço livre é quase uma necessidade.
Mesmo dormindo, a mente não desliga. Sonha muito, a noite toda, com despertares frequentes, cochilos cheios de atividade mental, sonhos dos fatos do dia, dos negócios, das ocorrências vividas. Há sonhos poéticos, inventivos, visionários, constantes, fatigantes.
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Há uma predominância do lado esquerdo, ou os sintomas vão da esquerda para a direita.
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É marcante uma intolerância a qualquer constrição ou contato (não tolera absolutamente roupa apertada no pescoço, estômago, abdome, etc, fica nervoso e agitado).
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Agravação: na hora do sono (tudo pior na hora de dormir, ao acordar, ou depois de um sono prolongado), pelo calor em qualquer forma (ar quente, calor da cama, sol), por bebidas alcoólicas (apesar de ter grande desejo por todas elas), pelo jejum (estar muito tempo sem comer), deitado do lado esquerdo, pela mudança de clima, no outono e primavera.
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Melhora ao eliminar secreções (exemplo: ao menstruar, ao ter uma coriza) e ao ar livre.
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Grande parte dos transtornos ocorrem na menopausa. Excelente medicamento de fogachos, com ondas de calor e grande suor. Tem um enorme afluxo de sangue para a cabeça, com calor e que piora pelo calor. Pode ter derrames enquanto dorme, e ter hemiplegia (à esquerda) causada por uma hemorragia cerebral.
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Também excelente para desmaios (especialmente às 11h, em um cômodo fechado e quente, após sair de um banho quente).
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Hemorragias por qualquer orifício do corpo, um sangue escuro que não coagula. Pode ter equimoses espontâneas. A pele pode estar cianótica, com manchas azuladas, roxas.
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Desejo de ostras, picles, ácidos, álcool, leite, café e farináceos. Aversão ao pão e alimentos quentes.
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A garganta é um importante campo de ação. Tem a sensação de uma bola, um bolo, um corpo estranho, alguma coisa na garganta que não melhora engolindo (globus hystericus). Excelente em casos de amigdalites, pior à esquerda, ou que começa na esquerda e depois vai para a direita. Não consegue engolir nem mesmo a saliva. Tem uma sensação de constrição externa no pescoço, não tolera o menor contato e precisa estar com o pescoço sempre descoberto.
- Além disso, há grande tropismo pela laringe – pode ter constrição, edema de glote e das cordas vocais. É muito comum uma tosse por apenas pressionar ou tocar a laringe, ou que o paciente acorde de madrugada sem respirar, sentindo-se sufocado. A respiração pode parar durante o sono (apneia noturna). A dispneia também pode vir depois de comer, ao dormir ou apenas de tocar o pescoço. Ataques de asma, com grande necessidade de abrir as janelas, se inclinar para frente, ser abanado ou de ligar um ventilador. Enfisema pulmonar, pneumonias.
- Os genitais femininos também possuem grande importância em Lachesis. As menstruações são regulares, mas escassas, curtas, muitas vezes de sangue escuro e coagulado. Todos os seus sintomas costumam melhorar durante e depois da menstruação. Por outro lado, após a menopausa, pode desenvolver metrorragias fluidas. Geralmente o desejo sexual é aumentado.
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